sábado, 4 de fevereiro de 2012

Para entender de política e a estratégia de Dilma!



Para que nós possamos entender um pouco de política e como ela funciona. Os valores que podem trazer ou não dentro de uma sociedade. É extremamente importante termos alguma cultura da política e como ela funciona, afinal de contas ninguém é igual a outra pessoa, somos intrinsicamente diferentes, temos conceitos e idéias diferentes, e a condução da sociedade é feita pela política, o que não é tão ruim como se pensa e a imprensa divulga, até porque é melhor para o seu modo de atuação o não entendimento da mesma. É claro  que estão sempre presentes idéias que não são totalmente como as nossas, do nosso lado ou do lado adversário afinal dentro dela existe uma disputa de prioridades e importâncias. E a forma de torna-las possíveis ou não, contrariando alguem ou não, essas disputas não são fáceis mas são o cerne da sociedade. E aprender a discutir seus problemas de forma coerente e correta sem desmerecer a visão do outro lado é que no tempo tornará as coisas mais fáceis.

Deixo com vocês um trabalho muito bem feito por Eneas de Souza sobre a condução política feita por Dilma em sucessão a Lula, onde concordo com o quase tudo do que eles fizeram e fazem no seu governo e no meu conceito incrementam o desenvolvimento do país. Aqueles que acham que está tudo errado podem comentar tenham apenas elegância que os mesmos seram publicado. E caso eu puder responder da minha parte o farei.

Do Sul 21


Eneas de Souza

A Dilma tem uma inteligência estratégica que une, tanto na concepção como na prática, a Grande com a pequena política. Não é um jeito trivial, não, é uma força de ser. Tem a vocação de um pensamento nítido que não vacila no gesto. O que parece ser uma ligação da teoria com a prática: o conhecimento está irmanado com uma velha idéia grega, a do kairós, que quer dizer o senso de oportunidade. Nela há uma fraternidade dialética entre a idéia e a hora da ocasião. E o efeito deste movimento é o melhor possível – até agora, ao menos – pois a surpresa dos opositores, o aplauso dos adeptos e a indiferença dos que “não gostam e não entendem de política” se expressam numa aprovação inédita do país à presidenta.

Vou tratar da sua presidência de uma maneira rápida e sintética. Sei que a questão é vasta. Mas começo por colocar na roda e na pauta alguns aspectos que tenho por relevantes. Deixo para mais tarde uma melhor e mais ampla análise sobre a política da Dilma. Aproveito a sua viagem a Cuba para fazer uma pequena reflexão sobre este ano e um mês que tivemos de seu trabalho. O que se pode dizer sobre o assunto
 Lula e Dilma, a soma de um projeto de poder

A primeira coisa que gostaria de salientar é a continuação do lulismo, num agora lulismo-dilmismo. Parece incrível que as pessoas não notem este prosseguimento. E não notam. E não notam porque avaliam que a Dilma, para ser continuação do Lula, teria que ser uma cópia. Ela não é uma imitação, isso já ficou abusivamente claro. Portanto, é um continuar com qualidade própria. E quando Dilma faz algo diferente do que pensam que Lula faria, querem destacá-la dele. Esse país não está sabendo pensar. Como dizia um velho professor da direita na faculdade de Economia, “unir sem confundir” é preciso. Relacionar e diferenciar. Ver que a realidade tem uma solda e uma luz que põe os pontos do mundo no seu lugar.

Pois Lula e Dilma fazem parte do mesmo jogo. Um projeto de poder. Um projeto de poder nacional para transformar tanto o capitalismo financeiro e o neoliberalismo político como a condição do Brasil e da população brasileira. A estratégia da Dilma vai se fazendo, continuando e transformando a escultura de Lula, tanto na geopolítica como na geoeconomia. Não podemos deixar de salientar que com a Dilma houve um aumento de força neste projeto de poder. Juntos, Lula e Dilma, constroem um acréscimo de plasticidade na trajetória petista. Duas estrelas valem mais do que uma, tem mais céu e mais presença no combate político, tanto partidário, quanto entre nações. O lulismo se dilata, se fortalece, se adensa com o aporte da Dilma. Por isso, digo lulismo-dilmismo.

A dança da geopolítica e da geoeconomia

A crise do capitalismo pôs em questão o capitalismo financeiro e o neoliberalismo, e dividiu o eixo único do poder americano em dois, o novo eixo de Tio Sam e o eixo chinês, que se encontram num longo processo de constituição. Pois, na confusão do baile, a estratégia do Brasil, nesse momento, navega com algumas peculiaridades. A primeira coisa a constar é que o país tem que flutuar no jogo político, seja por causa da proximidade do comércio exterior com a China, seja porque os Estados Unidos trabalham em formas disfarçadas de protecionismo, seja porque os chineses têm ações predatórias nas relações com os outros países (África e mesmo América Latina, por exemplo), seja porque os americanos têm formas financeiras devastadoras. E por aí nós vamos.

O Brasil já mostrou que é um player médio no jogo internacional das nações, mas que não tem capacidade de organizar nem a geopolítica, nem a geoeconomia mundial. Dada a evolução da crise atual, aquela presença exuberante de Lula e do Brasil nos últimos anos não poderia continuar. Cabe aproveitar pequenas intervenções para marcar pontos, para segurar campos conquistados, aguardando o ressurgimento criativo no futuro para novos avanços. Trata-se, logo, de manter e reforçar a nossa posição. Assim, faz a Dilma. O discurso na ONU, a presença no G-20, a viagem à China, etc. Contudo, o horizonte da geoeconomia e da geopolítica mundial está a indicar que deve-se ir além de um reforço do estado atual do país. O salto sobre a crise passa por ordenar uma determinada região do mundo. A China arruma a Ásia e o Brasil amalgama a América do Sul, talvez a América Latina.

No caso brasileiro, a expansão da presença do Brasil no colorido continente sul-americano carrega um processo que projeta integrações produtivas, aduaneiras, integrações de infra-estrutura, de transporte, integrações educacionais e culturais, etc. O espaço deste itinerário adquire uma potencialidade altamente desejável e promissora. E essa flor, esse girassol, amadurecerá plenamente quando o rosto escuro do protecionismo chegar. Ele abrirá uma nova etapa da crise mundial – talvez no fim de 2012, quem sabe no decorrer de 2013. Nesse quadro, a integração regional será absolutamente decisiva para esses países. A América do Sul passa a ser, nessa paisagem, uma jogada geopolítica e uma jogada geoeconômica. Trata-se de uma oportunidade semelhante àquela que o Brasil teve por ocasião da crise dos anos trinta, só que agora num território continental. Dilma está com essa bola toda.

No campo geoeconômico, o principal norte é o futuro da economia mundial. No meu modo de ver, toda esta crise econômica serve para pautar a passagem de um padrão de acumulação de capital para outro, esse novo centrado na expansão das tecnologias de comunicação e informação, de novos materiais, das ciências médicas, etc. Essa passagem é longa e demorada, cheia de convulsões e rebuliços. Basta lembrar o que foi a crise da Grande Depressão. Portanto, temos um longo caminho a percorrer. Todavia – cabe salientar um ponto decisivo – o Brasil parece já estar neste futuro. Não pelo lado da fronteira tecnológica de vanguarda, mas pelo lado de uma certa infra-estrutura desse padrão. O Brasil vai de energia, de alimentos e de minérios. Contudo, é fundamental não ficar nessa primarização: o desenho da economia brasileira deve traçar um planejamento para a área de inovações e de tecnologia. E isso que daria ao país uma posição melhor na nova divisão internacional do trabalho.

É o curto prazo que está envolto num terreno de incertezas e de ameaças. Pois, se as contas do governo vão bem, o Brasil, como um atleta de salto triplo, se prepara – e essa é uma das preocupações da Dilma – para bloquear os efeitos da crise européia, para encarar as múltiplas facetas e repercussões do protecionismo variado, para conter o expansionismo complicado dos chineses. E, no entanto, o Brasil também não pode deixar de considerar as perspectivas de uma expansão do mercado interno. A vitamina virá de um programa de investimentos (PAC, Minha Casa, Minha Vida, por exemplo), acompanhado do consumo da classe mais necessitada, através dos gastos dos programas sociais do governo. E, como ampliação do mercado interno, pode-se apostar em tentativas de superar as questões vinculadas ao que se chama de desindustrialização da economia produtiva por causa do efeito chinês. Completa o espelho da incerteza atual os temores da repercussão da crise européia, o que Guido Mantega chama de guerra cambial, o tratamento mais consistente da taxa de juros e da atração insistente dos capitais financeiros pelo Brasil, etc.

A novidade estratégica de Dilma

Pensem os leitores, dispam seus preconceitos, e pensem mais atentamente o que Dilma está construindo no subtexto de sua presidência. De um lado, a unificação do Estado, que ela trabalha desde os tempos da Casa Civil e cujo maior êxito é a convergência do Banco Central com o governo. E de outro lado, dar uma cara nova à política, o que está se constituindo, a meu ver, como uma surpreendente novidade da área. Ousamos dizer que ela tenta mudar politicamente a política, introduzindo o campo dos valores como uma passagem de nível, como uma tarde de sol num inverno social.

Vou tentar explicar. A política é conflito, combate, diferença, tensão, discórdia. Perspectivas opostas, basicamente, valores distintos. Nela jogamos com a alteridade. Tudo aí se complica pois está presente a figura do outro. O outro é meu adversário, pode ser meu inimigo. O outro me escapa. Não sou capaz de fazer com que ele faça o que eu quero a não ser que ele esteja disposto a querer o mesmo. Na política contemporânea, houve o incremento de um padrão onde os valores da chantagem, da corrupção, da violência, por exemplo, predominam. O poder pelo poder. O realismo político passou a ser: se o outro não tem valores, ah! meu caro, eu também não preciso ter. Não preciso assumir valores coerentes, afirmativos, de uma cultura crítica, de um desenvolvimento social, da busca de um bem estar, da construção de um bem comum. Logo, valores coletivos, valores da dignidade, da legitimidade, da solidariedade, da liberdade, da fraternidade, da democracia. Valores para um poder criativo. Posso, pelo contrário, assumir os valores da força, da violência, da porrada, da prepotência, do ludibrio, do engano, do engodo, da burla, do exercício único do mando como o valor que interessa. Houve assim uma espécie de abolição de valores de um tipo em detrimento de outro no quadro da modernidade do jogo político.

Dilma vem articulando nos seus atos um conjunto de valores que não responde automaticamente aos atos dos adversários, ao menos, no mesmo nível deles. E isso tanto no jogo político partidário, parlamentar e ministerial como no jogo político da mundialização. Se duvidam, vejam o tema da corrupção de ministros e dos ocupantes de segundo escalão do governo. Ou a questão dos direitos humanos nos planos nacionais, como nos casos do Irã, de Cuba e dos Estados Unidos. Memorável o seu encontro com as madres de Mayo na sacada da Casa Rosada. Memorável também a resposta em Cuba sobre a questão dos direitos humanos. Todos os países cometem delitos, disse ela. O Brasil, Cuba e os Estados Unidos. Chamou a atenção para Guantánamo, que curiosamente os “defensores” dos direitos humanos não falam. Com atitudes como essas, Dilma vai compondo uma cesta de valores que passam pelas já citadas questões da corrupção e dos direitos humanos, como também pela presença das mulheres em cargos públicos de destaque, como a obstinação na erradicação da miséria, como a civilidade no trato da política. E assim, a viagem no campo dos valores vai se fazendo.

Gostaria de chamar a atenção para o tema da corrupção. Trata-se de algo profundo. O capitalismo financeiro fazendo de tudo – homens, coisas e valores – um negócio, corrompeu fortemente as relações humanas e políticas. A política se tornou, em muitos momentos, um caso de compra e venda, de chantagem, misturando favores políticos e cargos. Dilma tem se dedicado a reverter essas coisas. E fez da chantagem, inclusive midiática de denúncia da corrupção, uma forma de alavanca para romper com estas práticas. E fez de tal forma que baliza a própria base do governo na escolha de ministeriáveis, como também provoca a elevação ética no campo da política. Faz dos valores um componente do político, de tal forma, que cria um ambiente, uma atmosfera que vai transformando e enfatizando a política. Os valores tornam-se um ponto de referência em qualquer negociação. Ou seja, o combate principal se dá entre valores, embora, na sua prudência e astúcia, Dilma sempre saiba que a política é relação de forças, imposição de vontade. E que o menos ruim é melhor que o péssimo. E só se sabe isso quando se joga com valores.

A união da grande e da pequena política

Essas pequenas considerações servem para mostrar que a estratégia da Dilma é capaz de unir a Grande e a pequena política. Porque se Dilma se dedica a desenvolver a política, a estratégia e o projeto nacional – uma herança do governo Lula – ela não a defende somente em nome da política e da economia, mas a sustenta em nome de valores, que é a única forma capaz de fornecer critérios para decidir tanto no ar da Grande política como no solo da pequena política. Dilma age com valores que lhe permitem dar uma distinção à política na floresta agreste do capitalismo selvagem. E essa transformação tem sido feita progressivamente, sem alarde. E, de repente, as pessoas tomam consciência da energia e da sutileza da Dilma. A sua estratégica envolve uma concepção de valores como um toque sutil no combate pela metamorfose da política. São valores que não deixam de ter contundência, pois a política é um jogo pelo poder, é a arte de fazer a fisionomia de uma época.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Está na Hora de Enfrentar A Banca!

 O mundo vive uma crise que representa a meu ver oportunidade sem igual. É hora de enfrentar os Bancos e o Sistema Financeiro. A sociedade os enxerga e de fato são os maiores causadores dos presentes problemas como vemos com o movimento Occupy Wall street. Não se trata de deixa-los simplesmente quebrar, visto que geraria uma crise de confiança, mas sim de chama-los as suas responsabilidades. É chegada a hora de uma regulamentação forte e severa visto que o mercado financeiro, com os riscos que representa, não pode ser tratado da mesma forma que os demais. Para o bem das sociedades os seus controladores precisam e devem ser responsabilizados pelos problemas que causaram e é óbvio excluídos dos negócios.

No Brasil os bancários estão em greve e imagino que deva ser uma greve justa, pois o piso salárial dos mesmos no Brasil é menor do que na Argentina e o Uruguai e afinal nada gera mais lucros por essas terras do que bancos. Cobram um spred de juros absurdo, e não existe no mundo nada parecido com isto, e infelizmente eu vejo muito pouca indignação por isso. Este é o verdadeiro arroxo sobre a nação. Se os impostos em torno de 35% nos sufocam e nos indignamos tanto com o governo e os políticos eu pergunto. Porque ninguém denuncia este absurdo que nos mata pois juros de banco chegam a 186% ao ano e cartão de crédito a módicos 400%?

É hora de enfrentar a banca e de um esforço e de uma indignação conjunta da sociedade para nos livrarmos desse mal. Deixo com vocês texto esclarecedor sobre o tema.

O Esforço Conjunto e Medidas para a Redução da Taxa de Juros

Do Blog de  Luís Nassif

Autor: 


A atual crise mundial propicia um momento histórico para a equiparação das taxas de juros nacionais às taxas mundiais. Essa equiparação somente será conseguida mediante um esforço conjunto dos Poderes Executivo e Legislativo.

Questionamos, via Twitter, 51 senadores e a maioria dos deputados federais sobre o combate aos abusivos juros bancários. As respostas recebidas apontaram medidas variadas, que embora ineficientes de modo isolado, podem ser efetivas se adotadas simultaneamente.
 
O que se observa é que apenas a gestão macroeconômica não será suficiente para a redução das taxas, pois estas, aparentemente, não são definidas a partir de variáveis econômicas. Dados indicam que nos últimos anos a determinação das taxas de juros cobradas do trabalhador têm se desvinculado do índice de inflação, do custo do dinheiro captado e da inadimplência dos tomadores de empréstimos.

A concentração bancária inviabiliza a existência de uma efetiva concorrência de mercado. Dentre as medidas que estimulariam a concorrência entre os bancos temos a criação de uma “portabilidade bancária” - parecida com a dos celulares, e a obrigatoriedade de se assegurar a todos o acesso a serviços bancários.
Instituições financeiras têm promovido um processo de concentração de renda que vem subtraindo do trabalhador os ganhos salariais alcançados nos últimos anos.

Torna-se necessária a atualização da legislação de defesa do consumidor para proteger os interesses econômicos dos cidadãos diante das taxas de juros que garantem vantagem manifestamente excessiva para os bancos.

Eufemismo bancário

Imagine o seguinte cenário: você precisa urgentemente fazer um empréstimo e poderá liquidá-lo somente daqui a um ano. Ciente de que a inflação anual se aproxima de 7% – que deverá ser ponto de partida da taxa de juro sobre seu empréstimo - você procura um estabelecimento financeiro.

A pessoa que o atende informa que o empréstimo poderá ser liberado, mas que o cliente terá que pagar o dobro do que foi emprestado, ou seja, 100% de juros.

Para uma inflação de 7% ao ano o estabelecimento cobra uma taxa de 100% ao ano. Que nome você daria a isso? Uns radicais diriam que se trata de usura, outros de agiotagem, alguns de custo Brasil, outros justificariam como sendo o risco inerente à operação, uns tantos diriam que é culpa dos inadimplentes etc.

Insatisfeito com a taxa cobrada, você procura outras fontes de financiamento. Descobre que em uma o estabelecimento cobra 187,54% ao ano e noutra certa empresa a taxa de juro é de 454,98% ao ano. E agora, que nomes você daria a isso?

Calma lá, muita cautela nesse instante... Vamos dar nomes aos dois, o primeiro você pode chamar de cheque especial, o segundo de cartão de crédito.

Segundo dados do Banco Central do Brasil (http://www.bcb.gov.br/?txcredmes), a média das taxas de juros de cheque especial pessoa física cobradas por instituições financeiras foi de 9,20 ao mês, ou de 187,54% ao ano, em Agosto de 2011.

Já os 454,98% ao ano foram a taxa de juro de financiamento cobrada no nosso cartão de crédito na fatura de Setembro de 2011. Na de Agosto cobravam 483,80% a.a.

Questionando senadores e deputados

Indignado com a gritante, histérica e escandalosa diferença entre a taxa Selic (12% a.a., que reflete o custo do dinheiro para empréstimo interbancário) e a taxa de financiamento do nosso cartão de crédito (454,98% a.a., que reflete o custo para o cliente de cada real financiado), questionamos senadores e deputados via Twitter.

No dia 28/9/2011, através do Twitter, perguntamos para 56 senadores o seguinte: “A Selic está em 12% aa. Meu cartão cobra 15,13% am e 454,98% aa. Pq se permite isso?”.

Entre os dias 28 e 29/9/2011, também através do Twitter, perguntamos para a maioria dos deputados federais o seguinte: “Como é possível com a Selic em 12% aa cobrarem 454,98% aa no meu cartão? Pq não combatem o abuso?”.

Dois senadores e 13 deputados federais responderam. Alguns apenas expressaram indignação com a taxa do cartão de crédito, outros esclareceram que já haviam feito pronunciamentos no Congresso Nacional pela redução da taxa de juro.

O deputado federal Sandro Alex indicou matéria (que pode ser acessada em http://shar.es/bmGhL) na qual denuncia a cobrança de juros de 750,96% ao ano para saque realizado em cartão de crédito. Segundo a matéria, o deputo lembrou que “quando o país viveu um pico de juros, cujas taxas eram muito maiores que as atuais, os juros do cartão chegaram a 200% ao ano”.

O restante das respostas falava sobre a utilização da via jurídica para questionar a administradora do cartão, sobre reforma tributária, pacto federativo, reformas que não saem do papel, as exorbitantes taxas cobradas pelos bancos ainda não conseguir chegar à ordem do dia e sobre competência na gestão macroeconômica.

Adoção de várias medidas

Senadores e deputados deram respostas variadas, que implicam abordagens diferentes com o intuito de promover a redução da taxa de juro cobrada atualmente por instituições financeiras nas operações de crédito.

Acontece que todos estão certos, porém nenhuma das abordagens é eficiente se adotada isoladamente. Devido às peculiaridades do nosso país, da nossa realidade e do modo como funciona nosso sistema financeiro, a redução e nivelamento da taxa Selic aos níveis internacionais não ocasionará uma redução significativa da taxa de juro cobrada dos brasileiros.

A taxa para o cidadão, cliente pessoa física, será reduzida apenas se forem adotadas simultaneamente os pontos citados pelos parlamentares em uma ação conjunta dos poderes Executivo e Legislativo.

O grande problema que reduz a eficácia da gestão macroeconômica no Brasil é que durante décadas foi incutida a ideia e naturalizada a prática da política de taxa de juro elevada.

Além da gestão macroeconômica

Ao incorporar o discurso e aceitar as justificativas do mercado financeiro para a elevação e manutenção da taxa de juro em níveis estratosféricos, passamos a aceitar resignadamente taxas cada vez maiores como se elas fossem uma fatalidade da economia brasileira e inerentes ao funcionamento do sistema financeiro local.

Durante décadas, ainda que a população não possuísse poder de compra, tivemos inflação elevada e altas taxas de juros que se explicavam devido à desvalorização da moeda. Quando a inflação caiu e a economia se estabilizou, diziam que as taxas de juros precisavam continuar elevadas para não afugentar capital e investimentos estrangeiros. Quando os investimentos mundiais começaram a confluir para o Brasil, alegavam que os juros deviam continuar altos para os ingressos estrangeiros continuarem e para formarmos reservas cambiais. Consolidados os investimentos e formadas as reservas, a manutenção das taxas elevadas passou a ser justificada para se evitar a inflação causada pelo aumento do poder aquisitivo e consumo das famílias.

Ou seja, segundos os especialistas que trabalham para o mercado financeiro, no Brasil, qualquer que seja o cenário, sempre haverá motivos e explicações para a manutenção de elevadas taxas de juros nas operações de crédito.

Taxa de juro e o custo do dinheiro

O que se observa é que nos últimos anos tem ocorrido uma desvinculação da taxa de juro do índice de inflação e da taxa básica de juro (Selic).

Isso é evidenciado ao se realizar uma breve comparação entre os índices de inflação no Brasil (http://www.bcb.gov.br/?HISTMET), da evolução da taxa Selic (http://www.bcb.gov.br/?COPOMJUROS) e da média das taxas de juros de cheque especial pessoa física nos últimos anos, conforme disposto na  tabela 1.

Ao calcularmos a relação Inflação/Cheque Especial, verificamos que tem ocorrido uma diminuição da participação do índice de inflação na taxa do cheque especial. Quanto menor o número obtido, menor é a vinculação entre os dois. Assim, em 2002, quando a inflação estava em 12,53% a.a. e o Cheque Especial em 163,93% a.a., a relação entre ambos era 0,08. Isso significa que, grosso modo, a inflação tinha esse índice de participação na composição da taxa cobrada no cheque especial.

Em 2006, quando tivemos uma inflação de apenas 3,14% e a taxa do cheque especial estava em 142,04%, a relação entre eles era de 0,02, ou seja, havia diminuído a participação da inflação na composição da taxa do cheque.

Nos últimos cinco anos a inflação tem apresentado índice 0,03 de participação na taxa cobrada no cheque especial.

Contudo, a inflação, que sinalizará a atualização monetária, por si só não serve para a definição da taxa do cheque. É preciso que se leve em consideração o custo do dinheiro para os bancos.

Um instrumento útil para isso é taxa Selic, que já considera a inflação projetada. Ao calcularmos a relação existente entre a taxa Selic e a taxa do cheque especial, percebemos que tem havido uma contínua desvinculação entre o custo do dinheiro e a taxa cobrada no cheque especial (tabela 1).

Em 2002, quando a taxa Selic fechava o ano em 25% a.a. e a taxa cobrada no cheque especial fechava o ano em 163,93% a.a., a relação entre ambos era 0,15. A taxa Selic correspondia a 15% do total cobrado no cheque especial. A partir de 2004 tem havido uma constante redução na participação da taxa Selic na composição da taxa de juro do cheque especial pessoa física, estando atualmente o índice em 0,06 (ou 6%).

Uma vez que os dados indicam que nem inflação nem Selic serem as responsáveis pelas elevadas taxas de juros, a culpa recai nos tomadores de empréstimo que se tornam inadimplentes. Diz a lenda que todos pagam em seus empréstimos uma taxa de juro maior porque os bancos precisam cobrir os prejuízos gerados pelos clientes que não pagam as dívidas contraídas.

A baixa inadimplência

Por essa explicação fazer sentido, a tomamos por verdadeira sem, contudo, investigarmos se corresponde à realidade dos fatos.

Consultando os dados do Banco Central do Brasil sobre cheque especial (XV - Operações com juros prefixados - Cheque especial, Concessões, volumes e taxas de juros), verifica-se que no mês de Agosto de 2011, do saldo total de operações com cheque especial, 86% estavam sem atraso; 1% apresentava atraso entre 15 e 30 dias; 3% atraso de 31 a 90 dias e 10% atraso acima de 90 dias.

Podemos considerar preocupantes os clientes da faixa de atraso superior a 90 dias: 10% do volume total. Ocorre que esses 10% não correspondem, de fato, aos clientes dos quais os bancos não receberão nenhum pagamento.


O brasileiro preza ter crédito e “ficha limpa” no mercado, por isso será pequena a percentagem de clientes que se submeterá às consequências de ficar com o nome “sujo” na praça durante cinco longos anos até que ocorra a prescrição da dívida.

Cálculo do peso dos inadimplentes na taxa de juro

Se, para todos os efeitos, considerarmos ser de 10% o volume de empréstimos no cheque especial que de fato os bancos nunca verão “a cor do dinheiro”, podemos então calcular qual deveria ser a taxa de juro que cobriria o prejuízo causado por esses inadimplentes.

A conta é simples, ela parte dos seguintes dados:
• 100% (volume emprestado)
• 10% (inadimplentes)
• 100 – 10 = 90% (adimplentes)
• 10% (inadimplentes) / 90% (adimplentes) = 0,1111

O número 0,1111 corresponde ao que deverá ser adicionado a cada 1% do volume emprestado para cobrir o prejuízo com os inadimplentes. Como o total emprestado equivale a 100%, multiplica-se então 0,1111 por 100 para se obter a taxa que cobre os inadimplentes. Depois, basta somar o número obtido pela taxa de juro do custo do dinheiro para se obter a taxa mínima que deverá ser cobrada do cliente:
• 100 x 0,1111 = 11,11% (taxa que cobre inadimplentes)

• 11,11% + (taxa do custo do dinheiro) = (taxa mínima a ser cobrada do cliente)

Exemplo:

• 11,11% + 12% (taxa Selic a.a.) = 23,11% a.a. (com esta taxa o banco não tem prejuízo)

Assim, se a inadimplência for de 10% do volume emprestado e a Selic estiver em 12% a.a., basta o banco praticar uma taxa de juro de 23,11% a.a. para cobrir prejuízos com inadimplentes e com o custo do dinheiro emprestado.

Olhando para a média das taxas praticadas pelos bancos no cheque especial, vemos que em Agosto de 2011 ela era de 187,54% a.a. Logo, podemos fazer, dentre várias, a seguinte ilação:

187,54% = 164,43% (receita bancos) + 12% (custo Selic) + 11,11% (custo c/inadimplentes)

É claro que esses números estão inchados, pois as aplicações financeiras são remuneradas a taxas menores que a Selic e a inadimplência efetiva é bem menor que 10%. E tem mais, quando os bancos utilizam recursos próprios na realização do empréstimo não há custo de captação. Além disso, os bancos utilizam parte dos recursos que ficam parados nas contas-correntes dos clientes (recursos dos quais os proprietários não recebem remuneração).

Cálculo de um lucro “justo”

Na determinação da taxa de juro, qual seria uma margem de lucro “justa”?

É bom lembrar que os bancos são “apenas” intermediários entre os proprietários dos dinheiros e os tomadores dos empréstimos. Não plantam um pé de alface ou fabricam um prego. Fazem tão somente a intermediação.

Funcionam de modo semelhante a uma imobiliária: o proprietário do bem o deixa aos cuidados de um estabelecimento que se encarrega de alugá-lo para um terceiro e cobrar pelo uso do bem. Banco e imobiliária são o elo da relação, com a principal diferença de que se a imobiliária “quebrar” financeiramente o bem do proprietário (imóvel) continua em pé, já se o banco “quebrar”, o bem do proprietário muito provavelmente virará pó e talvez ele nunca mais veja a “cor do seu dinheiro”.

E tem mais, os bancos pagam os custos administrativos com as tarifas cobradas: tarifa de operação de crédito, de manutenção de conta corrente, de saque, extrato, de cartão magnético, tarifa de cadastro, tarifa de renovação de cheque especial etc. A sua parte da receita proveniente dos juros é praticamente igual ao lucro auferido na operação.

Por conta disso, um banco cobrar para si uma remuneração de 20% a.a. sobre o valor emprestado lhe propiciará uma considerável margem de lucro para a tão somente intermediação financeira.

Além do mais, uma taxa de juro menor diminui consideravelmente o percentual de inadimplentes. Se o custo do dinheiro for similar ao do rendimento da poupança e a inadimplência for de 3%, teremos:

20% (lucro bancos) + 3,09% (cobrir inadimplentes) + 10% (custo dinheiro) = 33,09% a.a. (taxa de juro de cheque especial)

Uma taxa de juro de 33,09% a.a. no cheque especial cobrirá o prejuízo com inadimplentes, remunerará o proprietário do dinheiro a uma taxa de 10% a.a. e ainda gerará ao banco um lucro duas vezes maior que aquele pago ao proprietário dos recursos.

Vários Bolsas Famílias

Mas esse percentual está muito distante daqueles que os bancos praticam.

Basta vermos a média das taxas cobradas em operações (pessoa física) de crédito pessoal, cheque especial e aquisição de bens (disponível em: http://www.bcb.gov.br/?txcredmes), conforme se observa na tabela 2.

Se desdobrarmos as taxas de juros praticadas, podemos fazer uma hipótese do custo total do dinheiro incluindo a taxa adicional que cobrirá o prejuízo com inadimplentes a mais de 90 dias. A partir daí é possível estimar, ainda dentro de hipóteses, a receita gerada para os bancos e a sua relação com o custo do dinheiro (tabela 3).

A partir da tabela 3 seria possível supor que a receita apropriada pelos bancos é 2,71 vezes superior à taxa Selic nas operações de crédito pessoal; 13,74 vezes superior no cheque especial e 2,28 vezes superior à Selic na aquisição de bens.

Segundo esses cálculos, em um ano eles lucrariam (falamos de lucros, não de receitas) sobre os valores emprestados juros de 32,55% no crédito pessoal, 164,9% no cheque especial e 27,34% na aquisição de bens - lembrando que isso considerando um alto custo (Selic) do dinheiro emprestado e uma inadimplência muito superior à real.

Se os bancos remunerassem a si mesmos com a mesma taxa do custo do dinheiro, os trabalhadores que tomaram os empréstimos poupariam em um ano algo em torno de 81 bilhões de reais (47,8 bilhões no crédito pessoal, 31,8 bilhões no cheque especial e 1,4 bilhão na aquisição de bens).

E olhem que tirar para si uma remuneração igual a que se paga ao dono do dinheiro não é lucrar pouco, não. Seria algo semelhante a uma imobiliária que cobrasse pelos seus serviços um valor equivalente ao do aluguel pago pelo inquilino. O inquilino/tomador do empréstimo estaria pagando, na verdade, dois alugueis: um para o proprietário do bem e outro para o intermediador.

Se assim fizessem, seriam 81 bilhões de reais que ficariam no bolso do trabalhador, que virariam poupança ou irrigariam o comércio. Isso sem se reduzir um ponto percentual sequer da taxa Selic, apenas cobrando responsabilidade dos bancos nas suas margens de lucros.

Detalhe: o Bolsa Família, com seus R$ 13,4 bilhões orçados para 2011, tem feito uma revolução nesse país. Imaginem o que não faria a injeção de R$ 81 bilhões na economia.

Agora, e se considerássemos outras modalidade de crédito, como cartão de crédito, financiamento imobiliário e financiamento de veículos? Isso na pessoa física, temos ainda várias operações na pessoa jurídica: capital de giro, conta garantida, aquisição de bens, vendor, hot money, desconto de duplicatas, desconto de promissórias, financiamento imobiliário etc. etc.

Rios de dinheiro ficariam no bolso do trabalhador e mudariam a história desse país.

O seu salário é o teto

Contudo, isso dificilmente irá acontecer. Por mais que se tente adotar medidas macroeconômicas.

Ao compararmos a evolução do número de contas correntes no Brasil (disponível em: http://www.febraban.org.br/Noticias1.asp?id_texto=1243), do valor em dólares do salário mínimo (disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Salário_mínimo), com a média das taxas de juros de cheque especial (disponível em: http://www.bcb.gov.br/?txcredmes) e calcularmos também o percentual do volume de cheque especial com atraso superior a 90 dias, obteremos o que segue na tabela 4.

Nela se observa um aumento constante do valor do salário mínimo na moeda norte-americana. Um aumento ininterrupto da abertura de contas correntes e uma estabilização do percentual do volume de cheque especial com atraso superior a 90 dias em torno de 10%.

Porém, ainda que o percentual de inadimplência tenha ficado estável, que cresça incessantemente a base de clientes e que o poder de compra do brasileiro tenha sido ampliado nos últimos anos, a taxa de cheque especial não apresentou retração. Pelo contrário, ela aumentou consideravelmente nesse período.

Com o aumento das taxas de juros os ganhos salariais acabam sendo transferidos para as instituições financeiras.

Ao que parece, provavelmente testes estão em andamento para se ver qual é a taxa máxima que o “sistema” comporta.

Lucros e concentração de renda

Esse conjunto de dados permite supor que a bilionária e crescente lucratividade registrada nos balanços dos bancos se deve muito mais ao peso das taxas de juros cobradas, do que por eficiência e ganhos de escala.

Caso fosse grande a inadimplência, os lucros não seriam tão vultosos. Detalhe: a própria inadimplência ocorre menos por má fé ou descontrole orçamentário do tomador do empréstimo, e mais por conta das abusivas taxas de juros que acabam por inviabilizar o pagamento da dívida.

Acabam ocorrendo duas coisas, de um lado se esfola o pobre do tomador do empréstimo - que faz a dívida justamente por não dispor desse dinheiro, de outro não se remunera adequadamente o dono do dinheiro, que é quem de fato assume o risco ao confiar o bem à instituição financeira.

O aumento da renda conquistado nos últimos anos tem sido absorvido pelas instituições financeiras através das elevadas taxas que castigam toda a sociedade. 

A elevação das taxas não reduziu o consumo porque essa elevação passou a ser diluída na multiplicação do número de parcelas dos financiamentos.

Um instrumento que auxiliará na redução da taxa de juro é por limites para a quantidade de parcelas de financiamentos.

Além disso, é preciso promover mecanismos que estimulem a concorrência entre os bancos.

Ausência de concorrência

O funcionamento do sistema bancário, por si só, dificulta a auto regulação do mercado e torna, nos dia de hoje, pouco aplicável a lei da oferta e procura.

Primeiro, porque os produtos bancários não são “produtos” em si. Quando se vai a um supermercado adquirir um produto basta levar o dinheiro e pagar a conta. Não é necessário preencher uma ficha-proposta, apresentar cópia do RG, CPF, comprovante de residência, comprovante de renda e estar sujeito à instituição aceitar ou não “vender-nos” o produto.

Os serviços bancários, com poucas exceções, geralmente estão condicionados a que o cliente possua vínculo com a instituição. Vínculo que é estabelecido a partir de um contrato, um acordo entre as partes. Se o banco não quiser celebrar o acordo, adeus.

Além disso, nosso sistema é muito concentrado, poucos bancos são responsáveis pela maioria dos clientes e das transações financeiras. Adicione as peculiaridades e complexidade de nossa sociedade, a existência de munícipios que possuem apenas uma agência bancária e  lá se vai para o espaço a ideia de concorrência no sistema bancário brasileiro.

A consequência da ausência de concorrência é que não se gera motivo para que os bancos reduzam as taxas de juros cobradas do cidadão comum, daquele brasileiro que compra um eletrodoméstico em 10 vezes no crediário. Reduzir a taxa de juro não atrai clientes, como aumentá-la não os afugenta. A redução da taxa somente reduz a margem de lucro. Que banco quer reduzir essa margem?

A redução da taxa de juro – não falamos da Selic, mas sim daquela que de fato é cobrada do trabalhador - será conseguida a partir da adoção de várias medidas.

Uma delas deverá propiciar o ambiente em que a concorrência entre os bancos seja estimulada.

Portabilidade bancária

Talvez uma dessas medidas seja instituir a “portabilidade bancária”, tipo a dos celulares:

1)     
Tal qual ocorre com as operadoras de telefonia celular, o número da conta bancária passaria a ser do cliente, não do banco. Se um banco concorrente oferecer tarifas e taxas menores, o cliente pode solicitar a transferência de sua conta para o outro banco, sem que tenha que pagar taxas por essa operação. Para que isso seja possível basta que padronizem os números das contas bancárias - como ocorre com o número dos telefones celulares – algo que para os bancos é algo tranquilo, pois com décadas de aquisições de concorrentes, fusões, migrações e transformações de bases de dados e contas de clientes, hoje eles fazem essas mudanças sem maiores dificuldades.

2)     
Todos os bancos oferecem produtos e serviços similares: conta corrente, poupança, cartão magnético, cartão de crédito, débito automático etc. Para que a portabilidade ocorra tranquilamente, ela deve abranger um pacote básico de produtos e serviços que poderão ser transferidos de um banco para outro. O tipo, nome e composição desses produtos e serviços devem ser padronizados.

3)     
Com a portabilidade bancária os clientes devem ter o direito de reativar sua conta no banco que deixou quando foi para outro que oferecia mais vantagens. Deve poder ainda manter contas simultâneas em mais de um banco.

4)     
Tal como as operadoras de celular que utilizam, de forma remunerada, as antenas da concorrente para ampliar sua cobertura, e como as democráticas maquininhas de cartão de crédito que aceitam todas as bandeiras, o cliente de uma banco “A” deve poder utilizar o caixa eletrônico de um banco “B”. Isso já ocorre com várias instituições que usam redes compartilhadas e com empresas de caixa eletrônico que trabalham com a quase totalidade dos bancos.


5)     
Da mesma forma que nenhum supermercado pode se recusar a vender um produto que um freguês deseja comprar com a moeda oficial, e nenhum hospital pode negar atendimento a quem precise de socorro, os bancos devem ser obrigados a “vender” um pacote básico de produtos e serviços, não discriminando qualquer que seja aquele cidadão que pagará pela “aquisição”.

6)     
Os bancos possuem uma importante função social, por isso, da mesma forma que água e luz são direitos de todos, o acesso a serviços bancários deve ser prerrogativa de cada cidadão.

Com a “portabilidade bancária” os bancos não poderão recusar a “venda” de um pacote básico de produtos e serviços bancários. O número da conta passará a ser do cliente, que poderá transferi-la para qualquer outro banco, levando consigo automaticamente o leque básico de produtos e serviços que utilizar no banco anterior. Seu cartão magnético deverá ser aceito em qualquer caixa eletrônico bancário para realização de saques e consultas.

Para que a “portabilidade bancária” seja instituída são necessárias apenas algumas padronizações e ajustes. Ela estimulará a concorrência entre os bancos e trará benefícios aos cidadãos tal como ocorreu no caso dos celulares.

Função social dos bancos

Em nosso país os bancos assumiram várias funções. Isso só fez aumentar o poder que adquiriram dentro da sociedade. Agentes sociais que realizam o comércio do dinheiro, são polos de captação de recursos. Suas políticas de concessão de crédito podem determinar em que setores da sociedade serão alocados os recursos.

A concentração do setor, a ausência de concorrência na atividade, décadas de prática de juros altíssimos, a desvinculação da taxa de juro do custo do dinheiro e falta de normativos legais que combatam abusos permitem que os bancos cobrem as taxas exorbitantes.

Permitem que eles tenham completa e irrestrita liberdade de determinar, por meio das taxas de juros, de forma absolutamente legal e de modo indireto, quanto pretendem absorver da renda dos tomadores de dinheiro.

A taxa de juro concentra ou distribui renda. Diminui ou aumenta o poder aquisitivo do cidadão. Tira o pão ou permite que se compre o leite. Uma carga tributária de 40% machuca, já uma taxa de juro de 180, 450 ou 750%  mata.

Adequação da legislação em defesa do consumidor

Sem a ação do Poder Legislativo, dificilmente o Executivo vencerá a batalha contra os altos juros.

É imprescindível que a legislação seja atualizada e que possa ser utilizada em defesa do cidadão enquanto consumidor de produtos e serviços de natureza bancária.
 
O art. 3° do Código de defesa do consumidor especifica em seu parágrafo 2° que “serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária”.

No art. 4° o código trata da Política Nacional de Relações de Consumo, que tem por objetivo, dentre outros, o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, a proteção de seus interesses econômicos, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo. Ele reconhece nos incisos:

• I, a vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo;

• II, a ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor por iniciativa direta;

• III, harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo, sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores;

• VI, coibição e repressão eficientes de todos os abusos praticados no mercado de consumo.

O art. 39 veda ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas, exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva. Ainda, segundo o art. 51, são nulas as cláusulas contratuais que estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade.

Por fim, o art. 41 do código estabelece que “no caso de fornecimento de produtos ou de serviços sujeitos ao regime de controle ou de tabelamento de preços, os fornecedores deverão respeitar os limites oficiais”. O art. 52 que nas multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderão ser superiores a dois por cento do valor da prestação.

Quem irá nos defender?

Tudo isso que diz o código, nada faz para proteger os interesses econômicos dos cidadãos diante das taxas de juros que garantem vantagem manifestamente excessiva para os bancos.

Na relação cidadão-banco, o código não é capaz de coibir e reprimir os abusos praticados por instituições financeiras no mercado de consumo.

Não harmoniza os interesses dos participantes, permite o desequilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores e mantém a situação de vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo de produtos e serviços de natureza bancária.

A incompletude da lei perpetua cláusulas contratuais com taxas de empréstimo que estabelecem juros abusivos, que colocam o consumidor em desvantagem exagerada, incompatíveis com a boa-fé e a equidade.

É imprescindível a complementação do código para que ele possa ser efetivamente aplicado na proteção dos interesses do trabalhador. Os abusos que hoje ocorrem nas taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras são a prova cabal da ineficiência da legislação.


Ressuscitando a lei da usura
Algo que talvez suscite reflexões a respeito é o Decreto n° 22.626, de 7/4/1933, de Getúlio Vargas (disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D22626.htm), que dispõe sobre os juros nos contratos.

Ele estabelece em seu art. 1º que “é vedado, e será punido nos termos desta lei, estipular em quaisquer contratos taxas de juros superiores ao dobro da taxa legal”, e que (art. 2º) “é vedado, a pretexto de comissão; receber taxas maiores do que as permitidas por esta lei”.

Diz ainda que (art. 4º) é proibido contar juros dos juros, e que (art. 13) “é considerado delito de usura [...] fraudar os dispositivos desta lei, para o fim de sujeitar o devedor a maiores prestações ou encargos, além dos estabelecidos no respectivo título ou instrumento”. Penas: prisão por (6) seis meses a (1) um ano e multas.

Não é da nossa época, mas antigamente isso funcionava mesmo?

Esse Getúlio....



















quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Mudanças e para onde vou!





Em 1994 eu fiz 25 anos e uma banda constituída basicamente de mulheres fez sucesso com uma música linda e que no meu conceito é eterna pois representa a inquietação do ser humano, principalmente na juventude, e a busca constante pela felicidade e pelo sentido das coisas frente aos acontecimentos que não param em um mundo em constante mudança.

Hoje 2011 17 anos depois o mundo deu aproximadamente 6205 voltas mais ou menos e aconteceram coisas que nenhum cenário realizado naquela época poderia imaginar. Os países que eram os párias tem voz cada vez mais forte no mudo com uma tendência aparentemente inexorável de se perpetuar. Nosso Brasil tem uma presidenta que hoje foi a primeira mulher a abrir a assembleia geral das nações unidas representando um país que cada vez mais se orgulha de si mesmo.

E o melhor de tudo isso é que as mudanças e as inquietações vão continuar, portanto posso continuar cantando a música com apenas algumas alterações na sua letra

What's Up
For non Blondes


Forty two years of my life and still
I'm trying to get up that great big hill of hope
For a destination
I realized quickly when I knew I should
That the world was made up for this
Brotherhood of man
For whatever that means
And so I cry sometimes when I'm lying in bed
Just to get it all out what's in my head
And I, I am feeling a little peculiar
And so I wake in the morning and I step outside
And I take deep breath
And I get real high
And I scream from the top of my lungs
What's going on?
And I say hey-yeah-yea-eah, eah hey yea yea
I said hey! what's goin' on?
And I say hey-yeah-yea-eah, eah hey yea yea
I said hey! what's going on?
And I try, oh my God do I try
I try all the time
In this institution
And I pray, oh my God do I pray
I pray every single day
For a revolution
And so I cry sometimes when I'm lying in bed
Just to get it all out what's in my head
And I, I am feeling a little peculiar
And so I wake in the morning and I step outside
And I take deep breath
And I get real high
And I scream from the top of my lungs
What's going on?
And I say hey-yeah-yea-eah, eah hey yea yea
I said hey! what's goin' on?
And I say hey-yeah-yea-eah, eah hey yea yea
I said hey! what's going on?
Twenty-five years of my life is still
I'm trying to get up that great big hill of hope
For a destination

"Não tenho a mínima idéia para onde as minhas escolhas vão me levar!
Mas é para lá que eu quero ir!"

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A "Rosa"




No dia 9 de Agosto de 1945 uma segunda "Rosa" chamada Fat Man cai sobre a cidade de Nagasaki passados 3 dias da queda da primeira "Rosa" chamada Litle Boy em Hiroshima, e determinou o fim da segunda guerra mudial. O que se pergunta é: era mesmo nescessário? Penso que não. Foi apenas o início da era formal das armas e do medo atômico. A possibilidade real de nos distruirmos como espécie através da insanidade absoluta. Nestes dias de dificuldades econômicas se espalhando pelo mundo a possibilidade de intolerancias é presente e pode sim comprometer o futuro. Portanto, deixo este alerta.


Não devemos nos esquecer da "Rosa"

A Rosa de Hiroshima
Vinícios de Moraes

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Mais um grande Mineiro (Brasileiro) no andar de cima! Fica o nosso obrigado!



Aparentemente quixotesco prestou serviço inestimável a esta nação. Birrento, intransigente, as vezes deselegante, Itamar Augusto Cautiero Franco, na sua vida pública foi sempre coerente com seus princípios e com a democracia. Como destacou Mauro Santayana, "Itamar não foi um político definido pelos estereótipos. Destacaram-se em sua personalidade e ação política os dois sentimentos que orientam os grandes homens públicos de Minas: o do nacionalismo – que vem da Inconfidência - e o da justiça social. Não há como negar a Itamar o alinhamento ideológico à esquerda. ".

Novamente atrasado pela nossa falta de tempo, fica o nosso agradecimento por sua vida dedicada a este país!

domingo, 12 de junho de 2011

Minha Namorada!


Hoje é o dia dos namorados, e esta vai para Su, te amo minha namorada, esposa, amiga, companheira, confidente.....

Meu poeta eu hoje estou contente
Todo mundo de repente ficou lindo
Ficou lindo de morrer
Eu hoje estou me rindo
Nem eu mesma sei de que
Porque eu recebi
Uma cartinhazinha de você

Se você quer ser minha namorada
Ai que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ter
Você tem que me fazer
Um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque

E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem de ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Para distrair e se encantar


Como faz bem para os ouvidos e o coração tamanha beleza de arranjo! Para quem não conhece, o Perpetuun Jazzile é um coral Esloveno que  canta jazz e música popular com arranjos maravilhosos. Deixo para vocês o que eu mais gosto.

Africa


I hear the drums echoing tonight
But she hears only whispers of some quiet conversation
She's coming in 12:30 flight
The moonlitgth wings reflect the stars that guide me towards salvation
I stopped an old man along the way
Hoping to find some long forgotten words or ancient melodies
He turned to me as if to say, "Hurry boy, it's waiting there for you"

(Chorus)
It's gonna take a lot to drag me away from you
There's nothing that a hundred men or more could ever do
I bless the rains down in Africa
Gonna take some time to do the things we never had

The wild dogs cry out in the night
As they grow restless longing for some solitary company
I know that I must do what's right
Sure as Kilimanjaro rises like Olympus above the Serengeti
I seek to cure what's deep inside, frightened of this thing that I've become

(Chorus)

Hurry boy, she's waiting there for you

It's gonna take a lot to drag me away from you
There's nothing that a hundred men or more could ever do
I bless the rains down in Africa, I bless the rains down in Africa
I bless the rains down in Africa, I bless the rains down in Africa
I bless the rains down in Africa
Gonna take some time to do the things we never had

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A classe média do Brasil "A fructibus cognoscitur arbor"



Maravilhosa a crônica de hoje de Luís Fernando Veríssimo no Estadão. Ele desnuda de uma forma bem humorada como pensa mal à classe média nacional.


 






Por: Luís Fernando Veríssimo


Diálogo urbano, no meio de um engarrafamento. Carro a carro.

- É nisso que deu, oito anos de governo Lula. Este caos. Todo o mundo com carro, e todos os carros na rua ao mesmo tempo. Não tem mais hora de pique, agora é pique o dia inteiro. Foram criar a tal nova classe média e o resultado está aí: ninguém consegue mais se mexer. E não é só o trânsito. As lojas estão cheias. Há filas para comprar em toda parte. E vá tentar viajar de avião. Até para o exterior - tudo lotado. Um inferno. Será que não previram isto? Será que ninguém se deu conta dos efeitos que uma distribuição de renda irresponsável teria sobre a população e a economia? Que botar dinheiro na mão das pessoas só criaria esta confusão? Razão tinha quem dizia que um governo do PT seria um desastre, que era melhor emigrar. Quem pode viver em meio a uma euforia assim? E o pior: a nova classe média não sabe consumir. Não está acostumada a comprar certas coisas. Já vi gente apertando secador de cabelo e lepitopi como e fosse manga na feira. É constrangedor. E as ruas estão cheias de motoristas novatos com seu primeiro carro, com acesso ao seu primeiro acelerador e ao seu primeiro delírio de velocidade. O perigo só não é maior porque o trânsito não anda. É por isso que eu sou contra o Lula, contra o que ele e o PT fizeram com este país. Viver no Brasil ficou insuportável.

- A nova classe média nos descaracterizou?
 
- Exatamente. Nós não éramos assim. Nós nunca fomos assim. Lula acabou com o que tínhamos de mais nosso, que era a pirâmide social. Uma coisa antiga, sólida, estruturada...

- Buuu para o Lula, então?

- Buuu para o Lula!

- E buuu para o Fernando Henrique?

- Buuu para o... Como, "buuu para o Fernando Henrique"?!

- Não é o que estão dizendo? Que tudo que está aí começou com o Fernando Henrique? Que só o que o Lula fez foi continuar o que já tinha sido começado? Que o governo Lula foi irrelevante?

- Sim. Não. Quer dizer...

- Se você concorda que o governo Lula foi apenas o governo Fernando Henrique de barba, está dizendo que o verdadeiro culpado do caos é o Fernando Henrique.

- Claro que não. Se o responsável fosse o Fernando Henrique eu não chamaria de caos, nem seria contra.

- Por quê?

- Porque um é um e o outro é outro, e eu prefiro o outro.

- Então você não acha que Lula foi irrelevante e só continuou o que o Fernando Henrique começou, como dizem os que defendem o Fernando Henrique?

- Acho, mas...

Nesse momento o trânsito começou a andar e o diálogo acabou.


A tradução da citação latina do título é; "Pelo fruto conheço a árvore"

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Meia Hibernação



Estamos num processo complicado, mistura de trabalho; família e pós-graduação (mestrado), afinal de contas são muitos os papeis que desempenhamos pela vida. Portanto o Blog anda meio que hibernado, mas estou tentando pelo menos uma postagem por mês. Demonstrando algumas canções que tem muito a dizer.

Assim que consseguir me organizar melhor quero rapidamente aumentar a frequência de Publicações. Vale lembrar que como no trabalho viajo para o interior e mais especificamente para fazendas fico um pouco distante da rede pelo menos 3 dias por semana, o que dificulta deveras o acompanhamento dos assuntos do momento para que possa demonstrar os pontos de vista deste que bloga de forma mais up to date!

Enquanto isso vamos como for possível, e vamos que vamos.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Um pouco Atrasado ( Muito Obrigado a um Grande Brasileiro)



Um Grande Brasileiro, Prestou um grande serviço a esta nação!

Descanse em paz e leve o nosso muito obrigado!

Viva o Brasil!

Viva José Alencar!

segunda-feira, 14 de março de 2011

O Plano Brasilerio de Erradicação da Pobreza



A erradicação da pobreza extrema é uma das metas da presidenta Dilma, os pilares do programa em que se pretende alcança-la estão expostos no texto abaixo da ministra Tereza Campello. O plano é sólido para mim faz muito sentido, por isto concordo em gênero número e grau. Contudo, é preciso ficar vigilante para que a sua implementação seja realmente e eficientemente conduzida.


País rico é país sem pobreza

TEREZA CAMPELLO
O plano de erradicação da extrema pobreza terá três eixos: transferência de renda, ampliação de serviços públicos e ações de inclusão produtiva
A nova marca do governo federal demonstra o compromisso da presidente Dilma com a erradicação da pobreza extrema no país. E o primeiro passo nessa direção é o fortalecimento do Programa Bolsa Família, que recebeu significativo aporte de R$ 2,1 bilhões.

Essa medida permite não apenas repor o poder de compra das famílias beneficiárias, com ganho real médio de 8,7% sobre a inflação acumulada de setembro de 2009 a março de 2011, mas, principalmente, concentrar o reajuste na faixa de idade mais vulnerável -entre zero e 15 anos-, que recebeu aumento de 45,5%. A ampliação do valor dado aos jovens entre 16 e 17 anos também foi expressiva, de 15,2%.
Essa determinação torna o programa ainda mais efetivo no combate à pobreza, reforçando os pontos centrais de sua origem: foco nas famílias mais pobres e nas crianças e jovens, parcela da população que apresenta as maiores taxas de pobreza e extrema pobreza.

Hoje, 25% dos beneficiários do Bolsa Família têm até nove anos de idade, e mais de 50% têm idade inferior a 20 anos. O aumento médio de R$ 19 (de R$ 96 para R$ 115) no benefício equivale ao gasto mensal com arroz e feijão de família com quatro membros, por exemplo.

Estudo sobre o perfil dos beneficiários mostra que as famílias direcionam os recursos à compra de alimentos, roupas, remédios e material escolar, dentre outros itens básicos. Garantir mais recursos às famílias pobres tem efeitos positivos na alimentação, saúde e frequência escolar de milhões de crianças e jovens, além de inibir o ingresso precoce no mundo do trabalho.

Assim, manifesta-se uma dimensão estratégica do Bolsa Família: a interrupção do ciclo intergeracional de pobreza. A oferta de educação e saúde é condicionante do programa. O índice de crianças e adolescentes do Bolsa Família fora da escola é 36% menor em relação aos filhos de famílias não atendidas, revela o Inep; a evasão de adolescentes no ensino médio cai à metade, comparada aos jovens não beneficiários.

A progressão escolar também é maior entre as crianças e jovens do Bolsa Família. A desnutrição infantil das crianças menores de cinco anos (período estratégico para o desenvolvimento das capacidades cognitivas) atendidas pelo programa caiu de 12,5% para 4,8%, nos anos de 2003 a 2008.

Além de garantir melhores condições de vida a 50 milhões de brasileiras e brasileiros, o programa ajuda a economia do país.

Cada R$ 1 direcionado ao programa aumenta em R$ 1,44 o PIB. Os beneficiários estão distribuídos por todo o país, mais um instrumento de apoio à redução das desigualdades regionais. Tais números comprovam a importância do Bolsa Família como parte da estratégia do governo de enfrentamento à pobreza.

O plano de erradicação da extrema pobreza terá três eixos: a transferência de renda é um deles. Os outros dois são a ampliação e qualificação dos serviços públicos, com ênfase no acesso, para melhorar as condições de vida dos brasileiros; e as ações de inclusão produtiva, para ampliar as oportunidades. Os três eixos expressam o convencimento de que a pobreza não se reduz ao indicador de renda, mas incorpora a dimensão de bem-estar social. 

Finalmente, estamos inovando no modelo de gestão e monitoramente para garantir o cumprimento das metas do plano.

O melhor investimento público é aquele direcionado ao ser humano. Não seremos uma nação capaz de desenvolver todo o seu potencial enquanto persistir a pobreza, entrave ao desenvolvimento econômico e social. País rico é país sem pobreza.


TEREZA CAMPELLO é ministra de Estado do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. 
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